Foi quando o Pedro perguntou Vocês lembram quando a gente brincava aqui na rua? E todo mundo disse "sim", balançando a cabeça de forma positiva e "viajando nas idéias" como num flashback. É claro que nossas lembranças eram diferentes, vistas por outros olhos, de outros ângulos, com outras conclusões... mas eram as mesmas lembranças, vivemos os mesmos dias, rimos ou choramos dos mesmos tombos, corremos as mesmas ruas, chutamos as mesmas bolas... e estamos aqui, no mesmo lugar só que, dessa vez, com responsabilidades e altura.
É claro que naquela época a gente pensava muito mais no presente do que no futuro. E agora, pensamos mais no passado do que no presente e nunca deixamos o futuro de lado. É estranho. É estranho lembrar que fomos amigos e ainda somos e que nada mudou, só a idade. É claro que quando se cresce você acaba ficando mais careta e não faz tudo com a mesma intensidade, vontade e inocência de antes. Mas quem diria, mais de dez anos depois ainda estamos aqui, juntos e amigos. É claro que muita gente deve viver isso, ter aquela amizade "pra sempre", sabe? Mas isso, geralmente acontece na escola. Com a gente não. A gente se conheceu aqui, onde moramos. O destino colocou cada um em uma quadra da cidade, pertinho, aqui do lado direito, aqui do lado esquerdo, virando ali... E pra quem não acredita em destino, isso é, ao menos, inusitado.
Enfim... antes de falar deles queria falar das brincadeiras. Eram tantas...
Sempre quando tinha alguma festinha na travessa, a gente fazia amizade com todas as crianças (porque criança é assim e isso é muito mágico) e íamos brincar de "pique-esconde". É claro que a gente sempre se escondia junto e se ajudava. Como aqui é "pequeno" não tinha muito lugar pra se esconder então, na maioria das vezes, a gente só dava uma volta na quadra e quando a pessoa que tava procurando já tava quase virando a outra esquina, a gente ia andando e batia no pique. Quando ficamos maiores um pouco e tinha aquela história de começar a beijar e tudo mais, nessas nossas voltas na quadra ficávamos com quem estávamos "afim". É engraçado lembrar.
Além do pique-esconde, brincávamos de "X" no chão. Isso era na casa da Dani. A gente marcava o chão com alguns "X's" e eles eram o "pique", sabe? É estranho, mas era engraçado. A gente brincava tardes e mais tardes.
Tinha também o futebol. Como aqui é travessa e não passa muito carro, dava pra jogar super tranquilo. A gente ralou muito joelho e acabamos com muitos dedos.
Teve a época do "Bets" (aquele com garrafa, tacos, bolinha e marcas no chão). Como era em dupla a gente sempre jogava com os mesmos parceiros. Fizemos alguns campeonatos e estouramos algumas bolinhas. Cara, a gente era muito forte porque as bolinhas atravessavam as ruas e iam parar lá no outro quarteirão.
Tinha aquela brincadeira também, que sempre me esqueço como era... devia ser dolorido pra quem ficava de "quatro" no chão. Acho que o nome era "estrela nova cela" (?). Era tensa, mas engraçada.
Depois de um tempo a gente começou a ir mais na cada do Well. Lá, nós jogávamos futebol, WAR, QI, Detetive ou qualquer outro jogo. A gente ia pra lá a tarde, umas 17 horas, e voltávamos umas 22 horas.
Era tão bom tudo aquilo... mas aos poucos a gente foi "crescendo e deixando de lado". Só sei que vivi tudo intensamente e tenho ótimas lembranças e, pelo que a gente tava conversando, o Pedro, a Alê e o Well também devem ter.
É bom saber que crescemos e vivemos tudo aquilo junto.
Hoje, o Wellington trabalha no núcleo de Odontologia da USP e faz Economia por lá. O Pedro, trabalhou no Shopping quase dois anos e agora ta "desempregado", mas nem ta procurando emprego porque quer "curtir" um pouco. A Alessandra tem diploma de Pedagogia e trabalha na mesma loja onde o Pedro trabalhou. Eu, bom... todo mundo sabe... sou a vagal que só estuda.
É bom saber que, apesar de tudo, ainda somos amigos. E é bom saber, também, que se eles me aturaram dez anos (pra mais) podem me aturar pelo resto da vida.